A hipótese é simples: a partir do nascimento, três ciclos correm sem parar - o corpo em 23 dias, a emoção em 28, o intelecto em 33 -, e é o ponto de cada um deles que descreve a disposição de um dia. Informe a data de nascimento.
Três ondas, três períodos, e nenhum deles divisor do outro. É dessa incomensurabilidade que vem a graça do sistema: os três só voltam a coincidir exatamente como no dia do nascimento depois de 23 × 28 × 33 = 21.252 dias, isto é, aos 58 anos e pouco. E há um encontro anterior a esse, que a mesa calcula na primeira aba: o dia em que as três ondas chegam ao topo juntas cai sempre no dia 17.003 de vida - por volta dos 46 anos e sete meses, e na mesma idade para toda pessoa que já nasceu.
O método MG
A pontuação que aparece na primeira aba não vem dos manuais de biorritmia: foi desenhada por Mario Giannini para este módulo, e resolve um problema que o gráfico sozinho não resolve - o de dizer, num número só, como está o dia inteiro.
A escala
Cada onda deixa de ser lida em porcentagem e passa a valer pontos, de centésimo em centésimo: -100% vale 0, 0% vale 100, e +100% vale 200. Some-se que não há valor negativo em lugar nenhum da conta: o pior que pode acontecer é zerar.
Os pesos
As três não entram em igualdade, e é aqui que o método toma partido: físico ×3, emocional ×2, intelectual ×1. A razão é uma tese sobre a vida, não sobre a matemática - quando o corpo não está bem, a emoção e o intelecto ficam comprometidos; quando a emoção não está bem, o intelecto se compromete e o corpo em parte; e quando é o intelecto que falha, os outros dois disfarçam. O corpo é o chão, a emoção é a casa, o intelecto é o telhado.
Os três números escolhidos têm uma propriedade que vale notar: 3 é igual a 2 mais 1. Quer dizer que o físico sozinho pesa exatamente o mesmo que o emocional e o intelectual somados - o chão sustenta precisamente o que se apoia nele, nem mais nem menos. Qualquer trio com essa propriedade (5-3-2, 8-5-3, e por aí vai, que são os números de Fibonacci) dá ao corpo a metade exata do dia; 3-2-1 é o menor deles, e por isso o mais inclinado.
A conta
Somados os três subtotais, o dia vale de 0 a 1.200 pontos, com 600 no meio exato. E como os pesos somam seis, a escala fecha numa conta redonda: a pontuação dividida por 12 é diretamente uma porcentagem do dia perfeito. Seiscentos pontos são cinquenta por cento; novecentos, setenta e cinco.
Dois números merecem registro, e os dois são cravados. O 1.200 só acontece uma vez na vida de cada pessoa, no dia 17.003 - o pico triplo, por volta dos 46 anos e sete meses. E o zero absoluto também só acontece uma vez, no dia 4.249, aos 11 anos e sete meses, quando as três ondas tocam o fundo juntas. Fora esses dois dias, toda a vida de qualquer pessoa acontece no meio.
Uma observação sobre o desenho
Como a conta é uma soma, em tese uma onda alta poderia compensar uma baixa - um dia de corpo arrasado ficaria salvo por cabeça e ânimo em festa. Fui verificar quanto isso pesa na prática, e os pesos já dão conta do problema: em toda uma vida, só 2,45% dos dias têm o físico abaixo de -50% e ainda assim passam do neutro, e o melhor que um dia de corpo arrasado consegue somar é 618 pontos - 51,5% do dia perfeito, o percentil 52, isto é, um dia rigorosamente mediano. A soma compensa, mas quase nunca resgata.
Físico · 23 dias
Vigor, resistência, coordenação, apetite, disposição para o esforço. É o ciclo mais curto e o mais palpável: mede a energia do corpo.
Na metade alta
O corpo responde. Bom momento para exigir dele - treino, viagem, jornada longa, cirurgia eletiva se o médico concordar.
Na metade baixa
Fase de recuperação, não de fraqueza. O corpo está recolhendo energia; forçar aqui costuma custar mais caro do que rende.
No cruzamento
Dia crítico do físico: o corpo está trocando de fase e fica instável. É quando se torce o pé descendo a escada de sempre.
Emocional · 28 dias
Humor, sensibilidade, criatividade, capacidade de se relacionar. Tem exatamente quatro semanas, o que faz cada dia da semana cair sempre na mesma fase.
Na metade alta
Ânimo em alta, empatia fácil, criatividade solta. Boa fase para conversas difíceis, apresentações e reconciliações.
Na metade baixa
Humor mais fechado e pele mais fina. Nada de grave - mas vale escolher outro dia para a discussão que pode esperar.
No cruzamento
Dia crítico do emocional: é quando uma frase banal é ouvida do jeito errado. Adie o que for delicado.
Intelectual · 33 dias
Raciocínio, memória, concentração, capacidade de decidir com clareza. É o ciclo mais longo e o mais lento de virar.
Na metade alta
A cabeça funciona rápido e com precisão. Fase para estudar, planejar, negociar e assinar.
Na metade baixa
Raciocínio mais lento e memória menos disponível. Bom para rever e consolidar; ruim para decidir o que é novo.
No cruzamento
Dia crítico do intelectual: dia de erro de conta e de esquecer o compromisso. Confira duas vezes o que for irreversível.
De onde veio isto
A ideia é do fim do século XIX. Wilhelm Fliess, otorrinolaringologista berlinense e amigo íntimo de Freud, observou em seus pacientes períodos que se repetiam de 23 e de 28 dias, e construiu sobre eles uma teoria da bissexualidade biológica - o 23 seria masculino, o 28 feminino. Freud levou a sério por um tempo e depois se afastou. Pouco depois, o psicólogo vienense Hermann Swoboda chegou por outro caminho aos mesmos dois números, e nos anos 1920 o engenheiro Alfred Teltscher acrescentou o terceiro, de 33 dias, a partir de notas de alunos.
O sistema ganhou o mundo nos anos 1970, quando as primeiras calculadoras de bolso tornaram a conta trivial. Empresas de transporte japonesas chegaram a organizar escalas por ele, e por um tempo houve quem jurasse que os acidentes tinham caído.
Uma palavra honesta sobre a validade
É preciso dizer com clareza, e dizer aqui e não em letra miúda: a biorritmia não tem sustentação científica. Dezenas de estudos controlados entre os anos 1970 e 1990 procuraram correlação entre as fases dos três ciclos e acidentes, desempenho esportivo, notas escolares e humor, e não a encontraram. As revisões da época - a mais citada é a de Terence Hines, em 1998 - concluíram que os resultados positivos vinham de erro metodológico ou de seleção de dados.
Há ritmos biológicos reais e bem documentados: o circadiano, de cerca de 24 horas, o ciclo menstrual, os ritmos sazonais. Nenhum deles é fixo em 23, 28 ou 33 dias, nem começa a contar no instante do nascimento.
Então por que este módulo existe? Porque é um objeto bonito e honesto quando apresentado como o que é: um exercício de ritmo, um espelho para observar o próprio estado, um convite a reparar em como você está hoje. Muita gente usa a curva do mesmo jeito que usa um horóscopo - não para obedecer, mas para pensar. Nesta mesa a matemática é exata e a interpretação é sua.
Como se lê o gráfico
A linha do meio é o zero. Acima dela, a fase alta do ciclo, em que aquela faculdade está disponível; abaixo, a fase de recuperação. O valor vai de -100% a +100% e não é uma nota: é uma posição na onda.
Os dias críticos são os cruzamentos - o dia em que uma curva passa de um lado ao outro do zero. Na teoria são os mais instáveis, não os piores: a faculdade está trocando de fase. Um dia em que dois ou três ciclos cruzam ao mesmo tempo é raro e, segundo os praticantes, digno de atenção.
Aqui o cruzamento é calculado sem arredondamento: a mesa marca o dia em que o sinal da onda efetivamente muda entre a véspera e ele.